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02/07/2026 - 21h51

Nota da Contracs denuncia cobertura parcial da grande mídia sobre a escala 6×1
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A Contracs/CUT publicou uma nota de repúdio criticando a cobertura da grande mídia sobre o debate em torno do fim da escala 6×1. No texto, a Confederação denuncia o tratamento considerado parcial dado ao tema, especialmente na reportagem exibida pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, por privilegiar a visão do empresariado e minimizar a voz da classe trabalhadora. A entidade reafirma que a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários é legítima, urgente e seguirá como uma das principais bandeiras do movimento sindical. Confira a íntegra da nota:

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT, Contracs, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à cobertura parcial realizada pela Rede Globo, por meio do Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (1º), sobre o debate no Senado Federal a respeito da proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho sem redução de salários.

Em uma pauta que atinge diretamente a vida de quase 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, a emissora optou por construir uma narrativa desequilibrada, tendenciosa e alinhada aos interesses patronais. Ao selecionar as falas exibidas na reportagem, a Globo deu amplo espaço a representantes do empresariado e do chamado setor produtivo, enquanto silenciou, esvaziou ou relegou a segundo plano a voz da classe trabalhadora, justamente a mais impactada pela escala 6×1.
Não houve paridade. Não houve equilíbrio. Não houve compromisso real com a informação. Não houve responsabilidade social.

A reportagem ouviu e destacou argumentos de entidades patronais que tentam transformar um direito básico, o descanso, a convivência familiar, o lazer, o estudo e a saúde, em ameaça à economia. Reproduziu, sem o devido contraponto, o discurso do medo, do aumento de custos, da informalidade e da perda de competitividade, como se a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras pudesse continuar sendo tratada apenas como despesa na planilha dos patrões.

A Contracs repudia essa escolha editorial. A televisão brasileira, especialmente uma emissora com o alcance da Rede Globo, tem responsabilidade pública. Informar não é selecionar apenas as vozes que interessam ao poder econômico. Informar não é apresentar a visão patronal como se fosse a verdade técnica e esconder a realidade de quem trabalha seis dias por semana, muitas vezes com salários baixos, jornadas exaustivas, adoecimento, pouco descanso e quase nenhum tempo para viver.

A postura da Globo não é nova. Historicamente, a emissora tem usado sua força de comunicação para influenciar a opinião pública em momentos decisivos da vida nacional, quase sempre contra os interesses da classe trabalhadora. Mais uma vez, diante de uma pauta popular, justa e urgente, escolheu o lado dos que podem financiar – pagando bem – o discurso.

Infelizmente, esse não é um caso isolado. A cobertura parcial da emissora da família Marinho reflete a postura de grande parte dos veículos de comunicação, comentaristas e profissionais que se apresentam como comunicadores, mas que tratam a luta pelo fim da escala 6×1 com irresponsabilidade, desinformação e profundo desconhecimento da realidade da classe trabalhadora. Ao reproduzirem argumentos alinhados aos interesses patronais e se negarem a ouvir quem vive a escala 6×1 todos os dias, esses setores também merecem o firme repúdio da Contracs e de todas as instituições representativas de classe.

Não aceitaremos que pessoas que nunca viveram uma escala exaustiva, que não conhecem a rotina de quem trabalha seis dias por semana e que opinam a partir do conforto de seus privilégios tentem desqualificar uma reivindicação legítima de milhões de brasileiros e brasileiras.

Não há neutralidade quando a comunicação escolhe o lado de quem patrocina. Não há compromisso com a verdade quando se transforma direito em ameaça, descanso em prejuízo e dignidade em custo. O jornalismo que se presta a esse papel abandona sua função social e passa a atuar como instrumento de pressão e opressão.

A Contracs seguirá denunciando toda tentativa de manipulação da opinião pública e reafirma que a classe trabalhadora não será intimidada por editoriais, comentários rasos, reportagens parciais ou discursos financiados pelos interesses econômicos de sempre.

O Brasil precisa de menos exploração e mais vida.
Precisa de menos oportunismo, menos manipulação e mais compromisso com a verdade.
A luta pelo fim da escala 6×1 é justa, urgente e seguirá firme até a vitória.

Brasília, 2 de julho de 2026

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